{"id":2300,"date":"2022-08-29T17:30:31","date_gmt":"2022-08-29T20:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.meulugarpsicologia.com.br\/index\/?p=2300"},"modified":"2022-09-02T16:57:11","modified_gmt":"2022-09-02T19:57:11","slug":"casal-como-evitar-a-crise-do-casamento-apos-o-primeiro-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.meulugarpsicologia.com.br\/index\/casal-como-evitar-a-crise-do-casamento-apos-o-primeiro-filho\/","title":{"rendered":"Casal: Como evitar a crise do casamento ap\u00f3s o primeiro filho?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje mais do que nunca, o nascimento de um filho representa um risco de crise para o casal. Eis aqui nossos conselhos para superar as turbul\u00eancias do p\u00f3s-beb\u00ea e construir sua nova fam\u00edlia sobre bases positivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crise ap\u00f3s a chegada do beb\u00ea: as chaves para evit\u00e1-la<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00ab Mathieu e eu estamos contentes por nos tornarmos pais em breve. N\u00f3s desejamos muito esse beb\u00ea e esperamos por ele ansiosamente. Por\u00e9m, vimos tantos casais de amigos \u00e0 nossa volta se separarem apenas alguns meses ap\u00f3s a chegada do pimpolho que estamos preocupados! Ser\u00e1 que o nosso casamento tamb\u00e9m vai desmoronar? Esse \u201cacontecimento feliz\u201d, t\u00e3o aplaudido por toda a sociedade, vai acabar se tornando um cataclisma?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Blandine e seu companheiro Mathieu n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos futuros pais que temem o chamado \u2018baby- clash\u2019, a crise ap\u00f3s a chegada do primeiro filho. Trata-se de um mito ou de uma realidade? Segundo o Dr. Bernard Geberowicz*, esse fen\u00f4meno \u00e9 bem real : \u00abCerca de 20 a 25% dos casais se separam nos primeiros meses ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea\u201d. E o n\u00famero de conflitos em andamento cresce constantemente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como um rec\u00e9m-nascido pode colocar em perigo o casal de pais a esse ponto? Diversos fatores podem explicar isso. Primeira dificuldade enfrentada pelos pais de primeira viagem, passar de dois a tr\u00eas exige dar lugar a um min\u00fasculo intruso. \u00c9 preciso mudar o ritmo de vida e renunciar aos pequenos h\u00e1bitos de vida do casal. Acrescente-se a essa limita\u00e7\u00e3o o temor de n\u00e3o conseguir dar conta do recado, de n\u00e3o estar \u00e0 altura desse novo papel e decepcionar o(a) parceiro(a). A fragiliza\u00e7\u00e3o emocional, o cansa\u00e7o f\u00edsico e psicol\u00f3gico, tanto para ela como para ele, tamb\u00e9m pesam &#8212; e muito! &#8212; sobre a harmonia conjugal. Sem mencionar que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil aceitar o outro com suas diferen\u00e7as e sua cultura familiar que infalivelmente v\u00eam \u00e0 tona assim que a crian\u00e7a entra em cena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Geberowicz sublinha que o aumento das crises ap\u00f3s o nascimento de filhos com certeza tamb\u00e9m est\u00e1 ligado ao fato de que, na Fran\u00e7a, a m\u00e9dia de idade dos pais por ocasi\u00e3o do nascimento do primeiro filho \u00e9 de 30 anos. Os pais, especialmente as mulheres, acumulam as responsabilidades e atividades profissionais, pessoais e sociais. A maternidade sobrev\u00e9m em meio a todas essas prioridades, de modo que as tens\u00f5es correm o risco de serem mais numerosas e mais relevantes para as mulheres. Al\u00e9m do mais, e isso \u00e9 digno de nota, hoje em dia os casais t\u00eam mais tend\u00eancia a se separarem assim que aparece uma dificuldade. O beb\u00ea, portanto, atua como um catalisador que revela ou at\u00e9 amplifica os problemas j\u00e1 existentes entre os dois futuros pais antes da sua chegada. Isso permite compreender melhor porque come\u00e7ar uma fam\u00edlia representa um momento t\u00e3o sens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aceitar as mudan\u00e7as inevit\u00e1veis<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, n\u00e3o \u00e9 preciso fazer drama! Um casal apaixonado pode perfeitamente administrar essa situa\u00e7\u00e3o de crise, desmontar as armadilhas e os mal-entendidos para evitar o chamado \u2018baby-clash\u2019 &#8212; o conflito decorrente da chegada de um filho. A primeira coisa \u00e9 manter a lucidez. Nenhum casal consegue ficar imune a isso, pois a chegada de um rec\u00e9m-nascido for\u00e7osamente desencadeia turbul\u00eancias. Imaginar que nada vai mudar s\u00f3 piora a situa\u00e7\u00e3o ainda mais. Os casais que escapam ao \u2018baby-clash\u2019 s\u00e3o aqueles que, desde a gravidez, antecipam que haver\u00e1 remanejamentos e que o equil\u00edbrio ser\u00e1 alterado; s\u00e3o aqueles que compreendem e aceitam essa mudan\u00e7a, preparando-se para isso sem pensar na vida a dois como um \u2018para\u00edso perdido\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O passado da rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser a refer\u00eancia de felicidade &#8212; \u00e9 preciso redescobrir, juntos, uma nova forma de ser feliz. Fica dif\u00edcil imaginar qual o tipo de sensa\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o que o beb\u00ea vai proporcionar a cada um dos pais, pois isso \u00e9 algo muito pessoal e \u00edntimo. Por outro lado, \u00e9 essencial n\u00e3o cair na armadilha da idealiza\u00e7\u00e3o e dos estere\u00f3tipos. O beb\u00ea real, aquele que chora e n\u00e3o deixa os pais dormirem, n\u00e3o tem nada a ver com a crian\u00e7a perfeita que foi imaginada durante nove meses! Aquilo que a gente sente n\u00e3o tem nada a ver com a vis\u00e3o id\u00edlica que se tinha sobre o que \u00e9 ser pai ou m\u00e3e, e sobre o que \u00e9 ser uma fam\u00edlia. Tornar-se pai ou m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 felicidade, e \u00e9 essencial reconhecer que somos como todo mundo. Quanto mais aceitarmos nossas emo\u00e7\u00f5es negativas, nossa ambival\u00eancia ou mesmo nosso arrependimento por termos entrado nesse barco, mais conseguiremos afastar o risco de uma separa\u00e7\u00e3o precoce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o momento de apostar na solidariedade conjugal. A fadiga associada ao parto e ao p\u00f3s-parto, \u00e0s noites mal dormidas e \u00e0 nova rotina de vida \u00e9 algo inevit\u00e1vel, portanto, \u00e9 fundamental reconhec\u00ea-la em si mesmo e tamb\u00e9m no outro, pois a fadiga vai pressionar os limites da toler\u00e2ncia e da irritabilidade. N\u00e3o se contente em esperar que o seu companheiro venha espontaneamente em seu aux\u00edlio e n\u00e3o hesite em pedir a sua ajuda, pois ele por si s\u00f3 pode n\u00e3o se dar conta de que voc\u00ea n\u00e3o ag\u00fcenta mais, ele n\u00e3o \u00e9 adivinho. Este \u00e9 um bom per\u00edodo para evidenciar a solidariedade do casal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do cansa\u00e7o f\u00edsico, \u00e9 primordial reconhecer a sua pr\u00f3pria fragilidade emocional e ficar atento para n\u00e3o permitir que a depress\u00e3o se instale. Sejam atenciosos um com o outro; verbalizem os seus sentimentos de des\u00e2nimo, as suas oscila\u00e7\u00f5es de humor, as d\u00favidas, interroga\u00e7\u00f5es e decep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora mais do que nunca, o di\u00e1logo \u00e9 indispens\u00e1vel para manter a cumplicidade e a coes\u00e3o do casal. Saber escutar um ao outro \u00e9 importante, assim como saber aceitar o outro como ele ou ela \u00e9, e n\u00e3o como a gente gostaria que fosse. Os papeis do \u201cbom pai\u201d e da \u201cboa m\u00e3e\u201d n\u00e3o est\u00e3o escritos em lugar algum. Cada qual deve poder exprimir suas vontades e agir de acordo com suas capacidades. Quanto mais r\u00edgidas s\u00e3o as expectativas, mais consideramos que o outro n\u00e3o assume seu papel corretamente, e isso aumenta a chance de termos ao final uma decep\u00e7\u00e3o com todo o seu s\u00e9quito de cr\u00edticas. A parentalidade se constr\u00f3i aos poucos. Tornar-se m\u00e3e ou pai demanda tempo, n\u00e3o \u00e9 algo imediato. \u00c9 preciso exercitar a flexibilidade e valorizar o companheiro ou companheira para que ele\/ela se sinta cada vez mais legitimado(a).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reencontrar o caminho da intimidade<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra dificuldade que pode sobrevir de forma inesperada e devastadora : o ci\u00fame do c\u00f4njuge em rela\u00e7\u00e3o ao rec\u00e9m-nascido. Conforme destaca o Dr. Geberowicz, \u201cos problemas surgem quando um dos c\u00f4njuges tem a impress\u00e3o de que o outro se dedica mais ao beb\u00ea do que ao parceiro, e se sente negligenciado, abandonado\u201d. Ap\u00f3s o nascimento, \u00e9 normal que o beb\u00ea se torne o centro do mundo. \u00c9 indispens\u00e1vel que os dois genitores entendam que a liga\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filho nos primeiros tr\u00eas ou quatro meses \u00e9 necess\u00e1ria, tanto para o beb\u00ea como para a m\u00e3e. Os c\u00f4njuges precisam aceitar a id\u00e9ia de que o casal ficar\u00e1 em segundo plano por algum tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sair para uma escapada rom\u00e2ntica de fim-de-semana \u00e9 algo imposs\u00edvel, pois isso seria prejudicial ao equil\u00edbrio do rec\u00e9m-nascido, por\u00e9m o corpo a corpo da m\u00e3e com o beb\u00ea n\u00e3o ocupa 24 horas por dia. Nada impede que o casal compartilhe seus pequenos momentos de intimidade a dois depois que o beb\u00ea dorme. A\u00ed \u00e9 hora de deixar de lado o celular e o computador para se reencontrar e conversar, relaxar e trocarcar\u00edcias para que o pai n\u00e3o se sinta exclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E por falar em intimidade, isso n\u00e3o significa necessariamente rela\u00e7\u00e3o sexual. A retomada das rela\u00e7\u00f5es sexuais \u00e9 motivo de v\u00e1rias disc\u00f3rdias. Uma mulher que acaba de dar \u00e0 luz n\u00e3o est\u00e1 com a libido em sua melhor forma, tanto do ponto de vista f\u00edsico como psicol\u00f3gico. Nem os horm\u00f4nios est\u00e3o normais. Colegas bem-intencionados nunca deixam de lembrar que o beb\u00ea \u2018\u00e9 o fim\u2019 para o casal, e que um homem normal corre o risco de ficar tentado a se aventurar por a\u00ed se a esposa n\u00e3o voltar prontamente a fazer amor! Se um dos c\u00f4njuges pressiona o outro e exige a retomada das rela\u00e7\u00f5es sexuais cedo demais, \u00e9 sinal de que o casal est\u00e1 amea\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 ainda mais lament\u00e1vel quando se sabe que \u00e9 poss\u00edvel ter uma proximidade f\u00edsica, ou mesmo sensual, sem que o sexo esteja presente. N\u00e3o existe timing pr\u00e9-definido; o sexo n\u00e3o deve ser um desafio, nem uma reivindica\u00e7\u00e3o, nem uma coer\u00e7\u00e3o. Basta reavivar o desejo e recoloc\u00e1-lo em circula\u00e7\u00e3o, sem se afastar do prazer, do toque; basta tentar agradar ao outro e mostrar que ele nos agrada, que estamos a seu lado enquanto parceiro sexual, e que mesmo se n\u00e3o temos desejo de fazer amor neste momento, existe o desejo de que isso seja retomado. Essa perspectiva de um futuro retorno do desejo f\u00edsico tranquiliza e evita que se caia no c\u00edrculo vicioso onde cada um espera que o outro d\u00ea o primeiro passo: \u201cEu noto que ele\/ela n\u00e3o me deseja mais, \u00e9 assim mesmo, e por isso eu tamb\u00e9m n\u00e3o o\/a desejo mais, isso \u00e9 normal\u201d. Assim que os amantes estiverem novamente em sintonia, a presen\u00e7a do beb\u00ea for\u00e7osamente induz a modifica\u00e7\u00f5es na sexualidade do casal. \u00c9 preciso levar em conta essa nova informa\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o espont\u00e2neas e devemos considerar a preocupa\u00e7\u00e3o de que o beb\u00ea nos ou\u00e7a e acorde. Por\u00e9m, com toda certeza, se a sexualidade conjugal perde em espontaneidade, ela ganha em intensidade e profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Romper o isolamento e saber se envolver<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A repercuss\u00e3o das dificuldades enfrentadas pelo casal ser\u00e1 multiplicada caso os pais novatos permane\u00e7am em circuito fechado, pois o isolamento refor\u00e7a a impress\u00e3o de que eles n\u00e3o s\u00e3o competentes. Nas gera\u00e7\u00f5es precedentes, as jovens pu\u00e9rperas* eram cercadas pela pr\u00f3pria m\u00e3e e pelas outras mulheres da fam\u00edlia, beneficiando-se da transmiss\u00e3o da experi\u00eancia, dos conselhos e do apoio. Hoje em dia os jovens casais se sentem sozinhos, carentes e n\u00e3o ousam se queixar.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>que acabam de dar \u00e0 luz<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando temos um beb\u00ea, mas nos falta experi\u00eancia, \u00e9 v\u00e1lido fazer perguntar aos amigos e familiares que j\u00e1 tiveram filhos. Pode-se tamb\u00e9m usar as redes sociais e os f\u00f3runs em nossa busca por sermos reconfortados. A gente se sente menos sozinho quando troca experi\u00eancias com outros pais que vivem os mesmos problemas que n\u00f3s. Aten\u00e7\u00e3o: o fato de encontrar toneladas de conselhos contradit\u00f3rios tamb\u00e9m pode gerar ansiedade, ent\u00e3o \u00e9 preciso ser prudente e confiar no pr\u00f3prio bom-senso. E se estivermos realmente com dificuldades, \u00e9 preciso n\u00e3o hesitar em pedir o conselho de especialistas competentes. Quanto \u00e0 fam\u00edlia, mais uma vez, \u00e9 preciso encontrar a dist\u00e2ncia certa. Adote os valores e as tradi\u00e7\u00f5es familiares com as quais voc\u00ea se identifica; siga os conselhos que voc\u00ea considera pertinentes e deixe de lado, sem qualquer culpa, aqueles que n\u00e3o correspondem ao casal de pais que voc\u00ea e seu\/sua parceiro(a) querem ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje mais do que nunca, o nascimento de um filho representa um risco de crise para o casal. Eis aqui nossos conselhos para superar as turbul\u00eancias do p\u00f3s-beb\u00ea e construir sua nova fam\u00edlia sobre bases positivas. 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